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O TikTok está se tornando a plataforma de pirataria de mídia mais acessível do mundo

Como o TikTok foi inundado por trechos de filmes e séries que infringem direitos autorais, o crescimento da pirataria na plataforma e o que as marcas podem fazer.

Ryan Williams4 min de leitura
Nesta página3
  1. A proliferação de conteúdo pirata no TikTok
  2. O impacto da pirataria de mídia no TikTok
  3. O que as marcas podem fazer contra a pirataria no TikTok?

O TikTok é uma plataforma gigantesca, que atrai um bilhão de usuários no mundo todo a cada mês. Mesmo assim, em meio aos desafios de dança, aos hobbies de nicho e às esquetes de comédia, a proliferação descontrolada de conteúdo pirata corre solta.

Trechos longos e sem edição de filmes e séries chegam à plataforma com uma regularidade alarmante. De clássicos cult aos blockbusters mais recentes, parece que nenhuma obra está imune a ser compartilhada no TikTok.

A proliferação de conteúdo pirata no TikTok

A facilidade com que os usuários conseguem acessar e consumir conteúdo pirata é muito preocupante. Os usuários veem cenas tiradas diretamente de filmes e séries, a grande maioria publicada sem o consentimento ou a autorização dos legítimos donos do conteúdo.

Então, por que essa explosão de conteúdo pirata no TikTok? A resposta mais imediata está na acessibilidade e no alcance incomparáveis da plataforma.

O TikTok tem impressionantes 1 bilhão de usuários ativos por mês. Esse número representa uma parcela significativa da base global de usuários de internet e de redes sociais. Dos 4,8 bilhões de usuários de internet no mundo, 20,83% usam o TikTok, o que o torna uma das plataformas mais acessadas do planeta. Da mesma forma, dos 4,48 bilhões de usuários ativos de redes sociais, 22,32% são usuários regulares do TikTok.

Um estudo de 2022 mostrou que mais de um terço dos jovens de 16 a 19 anos já praticou pirataria digital conscientemente. Esse comportamento muitas vezes vai além de filmes e séries e chega a áreas como a pirataria de APKs, reforçando uma cultura em que acessar de graça conteúdo digital pago é cada vez mais normal entre o público mais jovem. Essa normalização do consumo de mídia pirateada entre os jovens agrava o desafio de combater a pirataria em plataformas como o TikTok e consolida ainda mais a ideia de que a pirataria é aceitável.

O próprio Relatório de Transparência do TikTok mostra o aumento das infrações de PI e das reações das empresas nos últimos anos.

Como mostra o gráfico acima, o total de pedidos de atuação em PI quadruplicou do segundo semestre de 2021 ao primeiro semestre de 2023, com os direitos autorais respondendo pela imensa maioria das infrações de PI.

Apesar da disposição do TikTok de cooperar com as empresas nos seus esforços de proteção de marca, a base de usuários crescente e a falta de mudanças significativas na moderação de conteúdo fazem com que as próprias marcas ainda precisem garantir o tempo todo que a sua PI não está sendo infringida.

Adotar uma estratégia de proteção de marca contra deepfakes pode ajudar as empresas a detectar e impedir o uso não autorizado do seu conteúdo, protegendo a receita e a reputação em plataformas como o TikTok.

O impacto da pirataria de mídia no TikTok

A pirataria desenfreada no TikTok é uma ameaça significativa aos direitos de PI de muitas empresas. Os produtores de séries, animes, filmes e outras mídias precisam estar cientes dos danos que o conteúdo protegido roubado pode causar ao seu negócio.

Receita perdida para a pirataria nas redes sociais

O principal dano da pirataria de mídia para as marcas, claro, é deixar de receber pelo uso do conteúdo protegido. O TikTok não é exceção. Com um bilhão de usuários ativos, que passam em média 1,5 hora por dia no TikTok, é muito consumo de mídia que as empresas donas dos direitos estão perdendo.

Hoje, as assinaturas de mídia paga estão fortes, e os americanos em particular gastam em média $46 por mês com assinaturas.

Mas essa disposição de pagar pode estar por um fio. Um relatório da Forbes sobre serviços de streaming mostra que 45% dos americanos cortaram pelo menos uma assinatura no último ano, e outros 90% podem cancelar mais se os preços subirem ou se as regras contra o compartilhamento de senhas ficarem mais rígidas.

Em contraste, a frequência nos cinemas dos EUA está em tendência de queda. A venda de ingressos atingiu o pico em 2002, com 1,58 bilhão de ingressos, e depois caiu gradualmente para 1,23 bilhão em 2019. A pandemia de coronavírus causou uma queda inevitavelmente enorme, mas em 2023 a venda de ingressos só tinha se recuperado até 825 milhões, pouco mais da metade do número de 20 anos atrás.

Então, fica a pergunta: assistir em casa, no celular, a mídia acessível de graça substitui de verdade a experiência “completa” de um cinema ou de um serviço de streaming?

A adoção do TikTok como plataforma legítima

Algumas marcas de fato adotaram a estratégia de apostar mais nas redes sociais como plataforma legítima para as suas mídias.

No ano passado, a Paramount lançou Meninas Malvadas no TikTok de graça. A comédia de 2004 foi dividida em 23 partes e publicada na conta da Paramount. Em um movimento parecido, a NBCUniversal publicou os três primeiros episódios da sua nova série Killing It no TikTok e também no YouTube.

Usar o TikTok como plataforma promocional dessa forma provavelmente parte da esperança de que os trechos incentivem os usuários a migrar para a plataforma paga em busca de uma experiência melhor. Mas isso ainda está em fase experimental e não se provou bem-sucedido.

Muitos comentários nesses vídeos pedem o nome da obra, mas não há indício de que essas pessoas a procurem em uma plataforma paga. E, para cada pessoa interessada em ver mais do filme, há inúmeras outras pedindo “me dá spoiler”.

Também é improvável que o próprio TikTok vire uma plataforma lucrativa de streaming para terceiros. Os pagamentos por visualização no TikTok são notoriamente baixos, então as empresas de mídia podem esperar menos do que centavos por dólar em troca das suas obras. Basta ver a Universal retirando o seu catálogo do TikTok no início de 2024 como exemplo de insatisfação com o pagamento do TikTok pela mídia.

Uma experiência de mídia pior

Apesar do conforto e da facilidade de ver um trecho aparecer no celular enquanto rola o TikTok, a experiência real da obra é categoricamente pior.

Diferente do ambiente imersivo de uma sala de cinema ou da nitidez em alta definição de uma TV, ver conteúdo na interface vertical do TikTok no celular pode ser fragmentado e insatisfatório.

A presença de botões da interface, textos sobrepostos e outras distrações diminui o impacto pretendido da obra, reduzindo o seu valor aos olhos dos consumidores.

Com isso, a PI dos donos dos direitos autorais é desvalorizada. Isso tem um efeito negativo direto na experiência real da obra, já que os donos dos direitos sabem a importância de apresentar a sua mídia na forma adequada. Quando isso não acontece, há um risco significativo de que os espectadores fiquem muito menos propensos a assistir às continuações ou a outros episódios, ou a se tornar fãs da obra a longo prazo.

O que as marcas podem fazer contra a pirataria no TikTok?

Para começar, uma boa notícia: o TikTok demonstra certo respeito pela proteção da propriedade intelectual na plataforma. O TikTok bloqueou a Z-Library, um dos maiores portais de pirataria da internet, em 2022. O site dava acesso a milhões de livros e artigos pirateados e foi descrito como algo que estava “matando” a capacidade dos autores de ganhar dinheiro com o seu trabalho.

O TikTok também tem um histórico comprovado de cooperação com os pedidos das marcas para remover conteúdo que infringe a sua PI. O seu Relatório de Transparência mostra o número crescente de pedidos de atuação em PI que a plataforma recebe.

Como sempre, a responsabilidade recai sobre as próprias marcas. Proteger a mídia protegida por direitos autorais exige que as empresas encontrem todos os espaços online em que a pirataria acontece e tomem as medidas necessárias para removê-la. Quando a pirataria chega a um nível que torna impossível proteger os direitos autorais manualmente, é hora de buscar uma solução com IA.

Escrito por

Ryan Williams