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Indústria da falsificação: tendências e desafios em 2023 e depois

As tendências da falsificação em 2023: a evolução das táticas dos falsificadores, a visão da geração Z, o TikTok e a IA nas mãos dos falsificadores.

Ryan Williams4 min de leitura
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  1. Tendência 1: evolução dos anúncios de produtos falsificados
  2. Tendência 2: as redes sociais como terreno fértil
  3. Tendência 3: a mudança na percepção da geração Z sobre as falsificações
  4. Tendência 4: a chegada da IA à falsificação

Na tecnologia em rápida evolução dos anos 2020, a combinação de avanços de ponta e estratégias complexas gerou tendências importantes que definem o momento atual da indústria da falsificação.

Este artigo vai direto ao ponto: analisa essas tendências, suas implicações e como elas se cruzam com a batalha contínua entre proteção de marca e falsificação.

Identificamos quatro tendências principais no cenário atual do setor de beleza e cosméticos:

  • Evolução dos anúncios de produtos falsificados
  • As redes sociais como terreno fértil
  • A mudança na percepção da geração Z sobre as falsificações
  • A chegada da IA à falsificação

Tendência 1: evolução dos anúncios de produtos falsificados

A proteção de marca não é uma iniciativa pontual contra um adversário estático. À medida que as marcas e os especialistas em PI adotam estratégias e ferramentas cada vez mais sofisticadas, os falsificadores fazem o mesmo. Eles sabem que o que fazem é ilegal e refinam suas operações a cada ano.

Em especial, os falsificadores têm todo o interesse em escapar da detecção e da atuação no ambiente online. Conforme as tecnologias para encontrar falsificações online melhoram, os falsificadores se adaptam para que os anúncios fiquem mais difíceis de encontrar e de remover pelos canais padrão.

Os nomes dos produtos de marca, as marcas registradas e as palavras-chave hoje muitas vezes são omitidos por completo dos anúncios de e-commerce. Os falsificadores sabem que essa é a forma mais fácil de as marcas legítimas encontrarem falsificações online, então tomam o cuidado de usar títulos e descrições que evitam totalmente essas palavras.

As imagens dos produtos também são escolhidas com cuidado pelos falsificadores. Com o reconhecimento de imagens cada vez mais disponível, muitos falsificadores evitam usar as imagens oficiais das marcas nos anúncios, já que elas são facilmente encontradas e usadas para comprovar que o produto é falso.

Até os logotipos das marcas podem ser detectados com IA, o que limita ainda mais as imagens que os vendedores espertos podem usar. Para contornar isso, os falsificadores muitas vezes tiram as próprias fotos dos produtos à venda e encobrem o logotipo para dificultar que a IA o encontre.

Tendência 2: as redes sociais como terreno fértil

Omitindo palavras-chave e imagens dos produtos, os falsificadores escondem seus produtos com mais facilidade e evitam que sejam removidos dos marketplaces online.

Imagem de Airbuds falsificados da DHgate anunciados no TikTok

Mas isso cria um novo problema para eles: como promover os produtos? Como um falsificador de produtos de beleza consegue vender com essas restrições? A solução encontrada foi apostar mais nas redes sociais como canal de divulgação — em especial, o TikTok.

A divulgação de produtos falsificados no TikTok explodiu em popularidade por meio do RepTok, uma grande comunidade do TikTok cujos vídeos somam bilhões de visualizações.

Os tiktokers criam vídeos envolventes para exibir abertamente itens falsificados, conhecidos na plataforma como “dupes” ou “reps”. Esses vídeos assumem abertamente que os itens são falsificações ilegais e mostram pessoas reais se gabando da qualidade e do preço baixo.

O objetivo dos vídeos é gerar um interesse enorme e depois direcionar os espectadores para canais intermediários, como planilhas públicas e plataformas de mensagens privadas como Discord, Snapchat e WhatsApp.

Esses intermediários então levam os usuários a anúncios em marketplaces online como DHgate e Pandabuy para a compra — embora os anúncios sejam bem mais enigmáticos para evitar a detecção, como mencionado acima.

Assista: TikTok’s Reptok Reality Unmasking Counterfeit Advertising

Tendência 3: a mudança na percepção da geração Z sobre as falsificações

A geração Z, formada pelas pessoas nascidas entre 1997 e 2012, desenvolveu uma aceitação peculiar dos produtos falsificados. Chamadas muitas vezes de “dupes” ou “reps”, as falsificações são vistas com uma nova atitude, uma mudança de paradigma com a qual marcas e consumidores precisam lidar na busca por autenticidade e valor de marca.

Essa afinidade com falsificações e pirataria é típica de um espírito geracional que questiona normas estabelecidas, incluindo as noções convencionais de propriedade intelectual. Um estudo da INTA, a International Trademark Association, revela que impressionantes 79% das pessoas da geração Z compraram produtos falsificados no último ano.

As escolhas desse grupo se concentram principalmente em roupas, calçados e acessórios eletrônicos falsificados, em parte pela percepção de que essas opções são mais acessíveis financeiramente e, ao mesmo tempo, esteticamente parecidas o bastante com o produto legítimo para enganar os colegas.

Na mesma linha, um estudo do EUIPO, o Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia, concluiu que até 50% da geração Z considera aceitável comprar produtos falsificados. Esses números mostram o afastamento da geração Z em relação ao status quo e revelam uma nova realidade, em que as falsificações não são só um desafio de mercado, mas um reflexo da evolução dos valores do consumidor.

À medida que as marcas tentam se orientar nesse cenário em transformação, entender a relação da geração Z com os produtos falsificados se torna essencial para manter a integridade e a relevância da marca. A aceitação dos “dupes” reflete a abordagem única de uma geração em relação à autenticidade e ao consumo, abrindo caminho para uma interação dinâmica entre marcas, consumidores e tendências de mercado em evolução.

Tendência 4: a chegada da IA à falsificação

A última grande tendência da indústria da falsificação é a adoção de ferramentas de IA pelos próprios falsificadores. Com a disponibilização dessas ferramentas para o público em geral, os falsificadores ganharam uma grande vantagem na capacidade de operar nos ambientes digitais.

Avaliações positivas falsas agora são extremamente fáceis de criar em grande escala por quem vende produtos falsificados online. Com ferramentas gratuitas de escrita com IA, como o Bard do Google e o ChatGPT, disponíveis para o público em geral, é possível criar milhares de avaliações falsas de produtos em minutos.

Como as avaliações dos clientes são uma das principais formas de os consumidores saberem se um produto é legítimo ou falso, isso vai confundir bastante o cenário e tornar muito mais difícil comprar produtos originais.

Imagens de produtos geradas por IA devem preocupar cada vez mais as marcas. Com os rápidos avanços da IA e ferramentas como Midjourney e DALL-E, os falsificadores estão prestes a lançar uma onda de imagens falsas convincentes nas plataformas de e-commerce.

Logotipo da plataforma de IA generativa ChatGPT

Por enquanto, a tecnologia ainda não chegou ao ponto da imitação perfeita, pelo menos não nas versões gratuitas. Além disso, os geradores de arte com IA costumam limitar o quanto os usuários podem acessar o software, o que restringe a capacidade dos falsificadores de depender dessa tecnologia para criar imagens falsas.

Mas, em 2023, estamos à beira de essas imagens geradas se tornarem realmente comuns e, com a velocidade de desenvolvimento dessa tecnologia, pode não demorar até que os marketplaces online sejam inundados por imagens de produtos geradas por IA. Essas imagens falsas têm o potencial de driblar os softwares de reconhecimento de imagens e objetos, sendo claras para uma pessoa, mas incompreensíveis para uma IA tentando entender a imagem.

Os influenciadores virtuais, um dos produtos mais fascinantes do avanço da IA, têm o potencial de mudar de forma significativa o cenário da falsificação. Já uma realidade, com exemplos notáveis como a Lu do Magalu, essas personas construídas digitalmente têm uma influência considerável e somam um número expressivo de seguidores nas redes sociais.

A tendência é que essas personalidades virtuais passem a ser usadas para enganar os consumidores, uma prática que pode ter consequências significativas, principalmente para a geração Z. À medida que essas entidades virtuais ganham força, cresce o potencial de recomendações enganosas, o que reforça a urgência de estratégias de proteção de marca adaptáveis, como a educação do consumidor.

Escrito por

Ryan Williams