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Por dentro da onda de falsificações nas festas de fim de ano: o que os dados da temporada realmente mostram

As perdas com falsificações no fim de ano subiram quase 30% no ano passado. Onde os falsificadores atacaram, por que a atuação atrasou e como se preparar.

Abby Lin4 min de leitura
Nesta página5
  1. Um salto de quase 30% nas perdas com falsificações
  2. Onde os falsificadores atacaram com mais força
  3. Um desequilíbrio entre categorias que conta uma história maior
  4. O que as tendências deste fim de ano significam daqui para frente
  5. O quadro maior: a falsificação de fim de ano não é uma exceção

O fim de ano deveria ser o grande momento do varejo: kits de presente, edições limitadas, tráfego recorde e uma corrida de compradores atrás de ofertas. Mas, por trás dessa animação, há uma corrida de outro tipo: uma onda de falsificadores que tratam a Black Friday e a Cyber Week como a sua própria alta temporada.

No ano passado, a falsificação disparou, chegou a novas categorias e mostrou com que facilidade os produtos falsificados se infiltram no caos das compras de fim de ano.

Veja o que nossos dados da temporada mostram e por que as marcas devem ficar atentas não só agora, mas o ano inteiro.

Um salto de quase 30% nas perdas com falsificações

Um dos padrões mais claros foi o quanto a falsificação acompanha de perto a demanda do consumidor. Na semana principal da Black Friday, a receita estimada perdida para vendas de falsificações subiu quase 30%. Para ter uma ideia, são milhões de dólares em poucos dias.

Os falsificadores não agem no escuro. Eles sabem que:

  • Os compradores decidem mais rápido
  • A atenção está dispersa
  • Com preços mais baixos em toda parte, fica mais difícil identificar uma falsificação

E, como os anúncios giram numa velocidade alucinante durante as promoções, o sistema de remoção fica sobrecarregado. Vimos isso de perto: dos quase 100.000 anúncios de produtos falsificados identificados, só cerca de 31% foram removidos a tempo.

Um dos principais motivos dessa lacuna foi a falta de preparo. Muitos times de e-commerce e de proteção de marca simplesmente não reservaram orçamento a tempo para ampliar a atuação. As marcas planejam o investimento em publicidade com meses de antecedência, mas o orçamento de proteção muitas vezes fica para trás — justamente no período de maior risco.

Onde os falsificadores atacaram com mais força

Os anúncios falsos aparecem em milhares de SKUs, mas o pico de fim de ano não foi aleatório. Ele se concentrou nos produtos com mais chance de virar presente, de ser desembrulhados ou exibidos na temporada.

A moda dominou o cenário das falsificações.

Roupas, bolsas e relógios lideraram a temporada e, juntos, responderam por uma fatia enorme de todos os anúncios falsos. Faz sentido: a moda de fim de ano gira em torno de logotipos, é muito visível e está emocionalmente ligada ao ato de presentear. Uma bolsa de grife em promoção ou um relógio com um descontão é exatamente a isca que os falsificadores esperam que o comprador morda.

A beleza seguiu crescendo como um dos principais alvos.

Skincare facial, cuidados com o cabelo e maquiagem responderam por uma parcela relevante dos anúncios falsos, uma tendência cada vez mais preocupante, dados os riscos dos cosméticos falsificados para a saúde. A beleza é especialmente vulnerável porque as embalagens são fáceis de imitar e os kits de fim de ano estão por toda parte.

Os artigos de vidro surpreenderam e chegaram ao topo.

Foi uma das maiores surpresas da temporada. Só os artigos de vidro responderam por quase 5% de todos os anúncios de produtos falsificados, um número fora do comum para uma categoria que não está entre os alvos tradicionais, como moda e vestuário.

Por que artigos de vidro? Há vários motivos possíveis: as recepções de fim de ano, os presentes escolhidos pela estética e o forte apelo visual. É um lembrete de que os falsificadores seguem a cultura da temporada, e não só as categorias de produtos.

No total, os 10 itens mais falsificados responderam por dois terços de todos os anúncios falsos. Ou seja, um punhado de produtos perfeitos para presente absorveu a maior parte da onda de falsificações de fim de ano.

Um desequilíbrio entre categorias que conta uma história maior

Quando saímos dos itens individuais e olhamos para as categorias, os padrões ficam ainda mais claros.

A moda (vestuário e acessórios) ficou extremamente exposta.

Esses produtos responderam por mais da metade de todos os anúncios denunciados, embora sejam só uma fração do mix total de produtos. Isso mostra o quanto os falsificadores dependem de logotipos conhecidos e de SKUs de giro rápido, que disparam na Black Friday e na Cyber Monday.

Casa e cozinha e itens diversos tiveram uma tendência mais discreta.

Essas categorias concentram a maior parte dos produtos disponíveis online, mas só uma pequena parcela da falsificação. É até um alívio: quem compra nessas categorias se importa mais com a funcionalidade do que com a marca, e os falsificadores têm menos a ganhar.

Mas, dentro de casa e cozinha, algumas subcategorias de forte apelo estético, como os artigos de vidro, foram claros pontos fora da curva nas festas. É a nova fronteira que as marcas precisam monitorar.

O que as tendências deste fim de ano significam daqui para frente

O fim de ano antecipa como os falsificadores vão se comportar nos próximos meses e anos. Cada padrão que observamos aponta para uma mudança maior na forma como as operações de falsificação evoluem, se diversificam e se antecipam ao comportamento do consumidor. Veja o que essas tendências dizem sobre o futuro da proteção de marca.

1. Os falsificadores agora acompanham a demanda dos consumidores em tempo real.

Já se foi o tempo em que os falsificadores copiavam só as maiores marcas de luxo ou os campeões de venda. Esta temporada deixou claro que a falsificação anda na mesma velocidade das tendências de compra online. Se uma categoria dispara, mesmo que por pouco tempo, as versões falsificadas aparecem quase na hora.

Quando kits de beleza viralizam no TikTok, o skincare falsificado dispara. Quando uma bolsa nova viraliza no Instagram, os anúncios se multiplicam da noite para o dia. Quando as promoções de fim de ano levam certos produtos ao topo da busca, são esses que os falsificadores copiam primeiro. O padrão é inconfundível: os falsificadores olham os mesmos sinais de consumo que as marcas e reagem com a mesma rapidez.

2. Os gargalos da atuação viraram janelas de ataque previsíveis.

Uma taxa de remoção de cerca de 31% nas semanas de pico revela uma fraqueza estrutural que os falsificadores exploram de propósito. Na Black Friday, na Cyber Monday e nas semanas antes do Natal, duas coisas acontecem ao mesmo tempo:

  • A atividade nos marketplaces dispara
  • Os times de atuação chegam ao limite da capacidade

Os falsificadores sabem que, nessas janelas, os anúncios falsos sobrevivem por mais tempo, vendem mais rápido e passam despercebidos. Por isso, concentram a atividade logo no início e inundam as plataformas de anúncios: mesmo que só parte escape da remoção, já dá lucro.

O que as marcas viam como um “infeliz pico de fim de ano” agora é uma estratégia previsível e calculada dos falsificadores.

3. Moda e beleza continuam sendo o epicentro do risco de falsificação.

Este ano confirmou uma verdade antiga: moda e beleza continuam sendo os alvos preferidos dos falsificadores e responderam por quase três quartos de todos os anúncios falsos que detectamos.

Por que essas categorias?

  • Logotipo conhecido: um simples sinal visual pode convencer o comprador de que o produto é original.
  • Grande apelo para presente: bolsas, kits de skincare, relógios e acessórios dominam as listas de desejos de fim de ano.
  • Fácil de copiar: na cabeça de um comprador apressado, a embalagem e o visual muitas vezes pesam mais do que a qualidade do material.
  • Ciclos de compra rápidos: os consumidores raramente pesquisam a fundo antes de comprar presentes de moda ou beleza, especialmente em promoções.

Essa concentração significa que as marcas desses setores precisam de proteção permanente, e não de defesas sazonais.

4. As temporadas de presentes estão levando os falsificadores a categorias novas e inesperadas.

A entrada dos artigos de vidro no top 5 dos itens mais falsificados nesta temporada foi um sinal de alerta. À medida que a cultura das festas muda, os falsificadores avançam sobre qualquer categoria com apelo estético ou potencial de presente.

Essa mudança tem grandes implicações:

  • A falsificação não se limita mais aos artigos de “luxo”.
  • Os falsificadores estão cada vez mais oportunistas, sem se prender a categorias.
  • Os comportamentos sazonais redesenham o cenário de risco a cada ano.

Se, na próxima temporada, os consumidores passarem a presentear com utensílios de cozinha especiais, pequenos objetos de decoração ou acessórios com tema de plantas, os falsificadores vão atrás. A agilidade deles é a verdadeira ameaça, e este ano provou que eles mudam de rumo muito rápido.

5. A proteção de marca agora precisa abranger ecossistemas inteiros de produtos.

A falsificação girava em torno dos “produtos carro-chefe”: a bolsa icônica, o relógio mais vendido, a fragrância clássica. Esse tempo acabou.

Esta temporada mostrou que os falsificadores mapeiam ativamente todo o portfólio de uma marca e exploram qualquer SKU com reconhecimento, demanda ou apelo para presente. Marcas com linhas amplas em beleza, acessórios, casa ou lifestyle viram a falsificação se espalhar por dezenas de produtos, e não só por alguns.

Isso significa que:

  • Proteger um único item carro-chefe não basta mais.
  • Os falsificadores veem os SKUs de cauda longa como alvos de baixo risco e alto retorno.
  • A proteção de todo o portfólio está se tornando o novo padrão.

Para as marcas, o desafio daqui para a frente é proteger todo produto que carregue valor de marca, por mais de nicho que seja.

O quadro maior: a falsificação de fim de ano não é uma exceção

O fim de ano já não se resume a vender mais. As marcas agora precisam atravessar um cenário de ameaças que se intensifica, se diversifica e se acelera em resposta direta ao comportamento do consumidor.

Este ano deixou uma coisa clara: os falsificadores são estratégicos, e a temporada de festas é quando essa estratégia fica totalmente à mostra.

Se você quer entender onde a sua marca está mais exposta e como reforçar a proteção antes do próximo pico sazonal, a MarqVision pode ajudar. Agende uma demo hoje.

Escrito por

Abby Lin